Prefeitura de Agrestina adia o feriado do Dia da Consciência Negra
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Em um município do interior de Pernambuco, com bem menos de 30 mil habitantes e com uma comunidade de remanescentes de quilombolas, a luta pelo reconhecimento do valor e da história dos afro-brasileiros parece não receber a devida importância. Pois, nesta quarta-feira, dia 20 de novembro, quando, pela primeira vez, a data entrou para o calendário de feriados nacionais, a Prefeitura de Agrestina transferiu o feriado para a sexta-feira, dia 22. E, mesmo sem dar satisfação e devida informação à sociedade, que faz uso dos serviços públicos e esperava encontrar as repartições fechadas, manteve o funcionamento dos serviços públicos municipais.
E não, não houve publicação e nem divulgação de decreto municipal para tal mudança nos canais oficiais da Prefeitura. Logo, a população não foi informada e não foi dada a devida publicidade aos atos oficiais do Governo do município.
A medida, que pode até agradar a alguns funcionários públicos, porque “estica” o fim de semana, na verdade, enfraquece e minimiza a representatividade da luta do povo negro no Brasil, e reflete diretamente na comunidade de remanescentes quilombolas do município, da Vila Pé de Serra dos Mendes e do Sitio Furnas, que remetem diretamente aos primórdios da resistência dos povo negro, contra a escravidão e contra a discriminação racial. Pois, o feriado do Dia Nacional da Consciência Negra remete à data do assassinato de Zumbi dos Palmares, que foi um líder quilombola e uma das figuras mais emblemáticas da resistência negra no Brasil. E remete diretamente ao Quilombo dos Palmares, que foi o maior quilombo que existiu no Brasil e na América Latina, que foi liderado por Zumbi e de onde descendem as comunidades quilombolas do interior de Pernambuco e de Alagoas.
Para a intelectual e ativista Lélia Gonzalez, no artigo O Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial, o 20 de novembro transformou-se num ato político de afirmação da história do povo negro, justamente naquilo em que ele demonstrou sua capacidade de organização e de proposta de uma sociedade alternativa”.
Ainda na opinião de Lélia, “Palmares foi o autêntico berço da nacionalidade brasileira, ao se constituir efetiva democracia racial, e Zumbi, o símbolo vivo da luta contra todas as formas de exploração”.
Para o historiador e professor mineiro Marcos Antônio Cardoso, especialista em movimento negro, Zumbi e o quilombo de Palmares carregam atributos muito importantes, e, apesar da derrota e morte de Zumbi, “o processo de resistência, de guerrilha, de organização, é muito importante do ponto de vista de pensar a história do Brasil a partir do olhar dos chamados vencidos. O quilombo de Palmares é ressignificado na memória negra brasileira. Pois se transforma na utopia de construção de uma sociedade baseada na igualdade”.
Assim, se espera que em 2025 o feriado do Dia Nacional da Consciência Negra seja, de fato, feriado em Agrestina e todas as terras quilombolas.