Audiência pública em Rio Formoso debateu alternativas socioeconômicas para a Zona da Mata
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Políticas públicas necessárias para o desenvolvimento da Zona da Mata nortearam a audiência pública promovida pela Comissão de Agricultura nessa quinta (21). O debate foi realizado na sede do Sindicato dos Trabalhadores Assalariados Rurais do município de Rio Formoso, na Mata Sul.
O empobrecimento da região nas últimas décadas, com o fechamento de usinas sucroalcooleiras, foi apontado como um dos fatores que contribuíram para a piora nos indicadores socioeconômicos da Zona da Mata. De acordo com o advogado Bruno Ribeiro, que atua em defesa dos trabalhadores rurais, as usinas mantinham 240 mil postos de trabalho, há 30 anos. Hoje são menos de 40 mil.
Ele defende que a situação da região é crítica e fruto de um acúmulo histórico de distorções fundiárias, econômicas e ambientais. “Desde o século 19, a Zona da Mata é tratada pelo poder público não como região, mas como um setor produtivo. Nunca houve projeto de desenvolvimento social e econômico. Não somos usinas, somos pessoas”, afirmou.
Outra questão que marca aquela área são as disputas fundiárias. Das mais de 40 usinas que já funcionaram na região, restam 11, como apontou a presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape), Cícera Nunes.
O secretário executivo de Combate à Fome da Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas Sobre Drogas de Pernambuco, Felipe Medeiros, pontuou que a Zona da Mata e o entorno do Recife, na Região Metropolitana, foram as regiões do estado que mais empobreceram nos últimos anos. Ele disse que o governo tem a dimensão do potencial e dos problemas da região, que apresenta os maiores índices de fome e pobreza de Pernambuco.
Também participaram da audiência pública representantes da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Pernambuco (Fetaepe), Comissão Pastoral da Terra, Instituto de Terras e Reforma Agrária de Pernambuco (Iterpe) e do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá.